Start-up de saúde é uma das vencedoras do Protechting

Start-up de saúde é uma das vencedoras do Protechting

Amiko (Itália), Bdeo (Espanha) e Visor.ai (Portugal) foram os três projetos vencedores da segunda edição do Protechting – programa de apoio e aceleração de projetos inovadores nas áreas de saúde, proteção e prevenção pessoal ou patrimonial, e serviços nos setores de ‘fintech’ e seguros – promovido pela Fosun e pela Fidelidade em parceria com a incubadora de ‘start-ups’ Beta-i.

O programa terminou no passado dia 11, com o anúncio dos vencedores ‘ex aequo’, depois das 14 apresentações finais onde os responsáveis de cada projeto defenderam as suas ideias e responderam às perguntas do júri, constituído por Isabel Vaz (CEO da Luz Saúde), Simon Li (Fosun Baking Group), Xizhen Wang (Fosun Insurance Group), Rogério Campos Henriques, André Cardoso e Sérgio Carvalho (todos da Fidelidade), e Pedro Rocha Vieira (Beta-i).

Este ano, o programa recebeu um total de 190 candidaturas, oriundas de 33 países e de setores como ‘cyber-risk’, doenças crónicas, novos modelos de distribuição, telemedicina e ‘customer analytics’, entre outros. As três vencedoras ganharam um prémio monetário de 10 mil euros cada e a integração num ‘roadshow’ à China, com acesso a alguns dos maiores investidores mundiais. Poderão ainda beneficiar de uma participação de capital, além de os respetivos projetos poderem integrar a Fidelidade, a Luz Saúde ou outras empresas do grupo Fosun.

Esta foi a segunda edição do Protechting, que se iniciou a 25 de janeiro, tendo passado por fases de seleção e aceleração dos projetos durante as quais as ‘start-ups’ foram acompanhadas por um grupo de mentores composto por profissionais da Fidelidade, da Multicare e da Luz Saúde.

Um inalador para controlar a medicação

A Amiko, ‘start-up’ italiana do setor da saúde de que a Luz Saúde foi mentora, venceu este concurso com a apresentação de um dispositivo médico (inalador nasal) com sensores que permitem registar vários dados – como, por exemplo, se o doente fez corretamente a inalação do medicamento para a asma ou doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) e se toda a dose prescrita foi dispensada.

Trata-se de uma solução inteligente e com grande potencial, pois uma das dificuldades dos médicos é determinar se a ausência de melhoria clínica se deve ao facto de o medicamento não ser o mais adequado, ou de a dose prescrita ser insuficiente ou mesmo se o doente utiliza o inalador de forma incorreta. O dispositivo possui sensores que recolhem os dados das tomas de medicação, que depois são enviados para uma plataforma onde o doente e o médico podem verificar a eficácia do tratamento.

Durante o Protechting, a Amiko desenvolveu o seu projeto com o apoio do serviço de Pneumologia do Hospital Beatriz Ângelo, sob a coordenação das pneumologistas Sofia Furtado (diretora do serviço) e Susana Clemente, e da investigadora Daniela Dias Santos, do Hospital da Luz Learning Health. A ‘start-up’ vai agora iniciar dois ensaios clínicos para provar a superioridade do uso do equipamento, um em doentes com asma e o segundo em doentes com DPOC.

Já o projeto da espanhola Bdeo pretende simplificar o processo de peritagem, por exemplo em acidentes de automóvel: em vez de recorrer a formulários em papel, cada cliente usa a câmara do seu telemóvel para fazer vídeos, tirar fotografias, enviar notas e tratar os processos de forma virtual com um perito de uma empresa de seguros. Quanto à portuguesa Visor.ai, disponibiliza um sistema que automatiza até 70% das interações das empresas com os clientes, recorrendo a inteligência artificial e a ‘chatbots’ (‘chats’ automáticos) – o que permite reduzir custos nos departamentos de suporte ao cliente e aumentar o nível de serviço através dos ‘chatbots’.

Todas as start-up concorrentes da área da saúde foram apoiadas pela equipa do Hospital da Luz Learning Health (além de Daniela Dias Santos, pelos investigadores Nuno André Silva e Cátia Costa) e pela direção de Novos Negócios da Luz Saúde (Simão Fezas Vital, diretor, e Tomás Lino, analista).

Na foto, Isabel Vaz (CEO da Luz Saúde) e Lingjiang XU (gerente da Fosun Portugal e vogal do Conselho de Administração da Fidelidade) com Martijn Grinovero, CEO da Amiko, a ‘start-up’ vencedora da área da saúde.