O Hospital da Luz Coimbra tem agora disponível a consulta de cefaleias, sob a coordenação do médico neurologista António Freire Gonçalves. Estima-se que um milhão de portugueses sofra de enxaqueca, «uma doença ainda pouco reconhecida», como explica este especialista, surgindo esta consulta com o objetivo de «prestar uma orientação muito especial e diferenciada nesta área». A enxaqueca é um tipo de cefaleia primária, caracterizada por episódios intermitentes de cefaleias moderadas a graves (com duração variável, entre horas a dias). Uma crise de cefaleias pode ser desencadeada por diversos fatores (ambientais, comportamentais, hormonais, medicamentosos, dietéticos ou outros), sendo uma das queixas mais habituais nas consultas médicas e uma causa frequente de absentismo. Está mesmo classificada pela Organização Mundial de Saúde como a principal causa de incapacidade neurológica. A consulta de cefaleias do Hospital da Luz Coimbra aposta na abordagem integral do doente – incluindo, por isso, uma equipa multidisciplinar constituída por neurologistas, psicólogos e enfermeiros, além de contar com o apoio do Serviço de Imagem Médica. Esta consulta «eleva, assim, o nosso nível de resposta, assegurando a subespecialização e a multidisciplinaridade das equipas», salienta Filipe Caseiro Alves, diretor clínico do Hospital. O arranque desta nova consulta no Hospital da Luz Coimbra foi assinalado com uma reunião clínica sobre «as novas estratégias na terapêutica da enxaqueca», que juntou vários especialistas e em que a neurologista Sónia Batista apresentou uma nova terapêutica: os anticorpos monoclonais anti-CGRP. Estes fármacos «constituem os primeiros tratamentos desenvolvidos especificamente para a enxaqueca, tendo os respetivos ensaios clínicos provado serem eficazes e seguros» na prevenção da doença, afirmou a neurologista. O Erenumab é um desses anticorpos monoclonais e já está disponível para utilização na consulta de cefaleias do Hospital da Luz Coimbra. O objetivo é «reduzir a frequência, duração e/ou gravidade das crises, diminuir a dependência e o uso da terapêutica na fase aguda e aumentar a capacidade funcional do doente», explica por seu lado António Freire Gonçalves. É de salientar adicionalmente o tratamento com toxina botulínica para casos de enxaqueca crónica, também disponível neste Hospital. Na foto em cima, Pedro Beja Afonso (administrador executivo do Hospital da Luz Coimbra), Sónia Batista e António Freire Gonçalves