As doenças que afetam o joelho, como artroses, lesões do menisco e tendinopatias, exigem uma abordagem clínica integrada. Esta foi a principal conclusão do encontro “Do bloco à reabilitação – patologia do joelho” , que reuniu ortopedistas e fisioterapeutas , a 10 de janeiro, no Hospital da Luz Coimbra, com o objetivo de reforçar a comunicação entre estas duas áreas e, assim, estabelecer os melhores cuidados para o doente. “Abordámos todo o percurso do doente ortopédico, desde o momento cirúrgico, no bloco operatório, até à recuperação funcional plena, em contexto de reabilitação”, explica Carlos Mesquita Queirós , ortopedista do Hospital da Luz Coimbra e organizador do evento. “Promovemos uma discussão técnica sobre as mais recentes abordagens em cirurgia artroscópica e reconstrutiva. Paralelamente, fisioterapeutas e especialistas em reabilitação apresentaram casos clínicos e estratégias terapêuticas, evidenciando a importância da continuidade de cuidados entre a intervenção cirúrgica e o regresso à atividade desportiva”, acrescenta. O programa destas jornadas, dirigidas sobretudo a fisioterapeutas, incluiu os seguintes temas: A artroplastia do joelho , discutido por um painel que foi moderado pelo ortopedista Armando Pires ; Medicina desportiva no joelho , painel moderado por António Cruz Ferreira , coordenador do Centro de Medicina Desportiva do Hospital da Luz Coimbra; Gestão entre médicos e fisioterapeutas foi a comunicação apresentada por José Pedro Marques , especialista em medicina desportiva no Hospital da Luz Lisboa. O encontro permitiu a clarificação e explicação de diferentes técnicas cirúrgicas, tendo sido analisados as principais indicações, objetivos, limitações e expectativas reais de cada procedimento. “Esta partilha de conhecimento revela-se fundamental para uma melhor compreensão do racional das opções cirúrgicas e para a adaptação mais eficaz dos programas de reabilitação salienta Carlos Mesquita Queirós. As jornadas destacaram-se também pela valorização da visão dos fisioterapeutas em relação à condução clínica e ao impacto das opções cirúrgicas no processo de recuperação funcional. “A precocidade da intervenção após a colocação de prótese no joelho é extremamente importante na recuperação da funcionalidade e autonomia”, afirma Rui Duarte , coordenador da fisioterapia do Hospital da Luz Coimbra. Ser-se capaz de “transmitir de forma clara todo o processo de reabilitação, ter qualidade nos procedimentos e ser assertivo na gestão da dor são fatores que definem claramente o sucesso cirúrgico da intervenção, na medida em que compreender e gerir a dor potencia os resultados e função”, acrescentou. Esta ‘troca’ de perspetivas permitiu aos ortopedistas compreender melhor os desafios da reabilitação e refletir sobre a forma como as decisões cirúrgicas influenciam depois o tempo e a qualidade da recuperação. O diálogo entre profissionais reforçou a importância do trabalho em equipa e da tomada de decisões partilhadas, princípios que estiveram na base da organização do encontro liderado por Carlos Queirós. No final, ficou claro que a colaboração e comunicação entre ortopedistas e fisioterapeutas melhora a eficácia dos tratamentos, aumenta a segurança e reforça a confiança do doente ao longo de todo o seu percurso clínico.