O Hospital da Luz Lisboa realizou com sucesso, a 15 de junho, o seu primeiro procedimento de implantação valve-in-valve mitral percutâneo , numa doente de 83 anos. A intervenção, exclusivamente por cateterismo, consistiu em colocar uma válvula mitral no interior de uma prótese mitral biológica que a doente já tinha e que estava desgastada, o que lhe causava insuficiência cardíaca e um quadro clínico muito complexo. Foi a primeira vez que este procedimento foi feito no grupo Hospital da Luz. E permitiu evitar que a doente fosse novamente submetida a uma cirurgia convencional, para substituição da válvula desgastada, o que seria de alto risco. A doente tinha feito anteriormente duas cirurgias cardíacas (a última há cerca de dez anos), ambas com implantação de próteses mitrais biológicas. Em abril de 2025, sofreu uma endocardite (infeção) de prótese, cuja evolução conduziu a insuficiência cardíaca que não melhorava apesar da terapêutica médica e farmacológica. O trabalho de diagnóstico, investigação, acompanhamento clínico e decisão terapêutica foi conduzido pela cardiologista Lígia Mendes e respetivo serviço de Cardiologia do Hospital da Luz Setúbal . Após discussão do caso em equipa multidisciplinar, foi proposto o tratamento percutâneo, dada a elevada complexidade e risco de uma nova cirurgia convencional. O procedimento foi realizado no Hospital da Luz Lisboa por uma equipa constituída pelos cardiologistas de intervenção Rui Campante Teles , Sérgio Madeira e Henrique Mesquita Gabriel, o cirurgião cardíaco Tiago Nolasco , a imagiologista cardíaca Marisa Trabulo e a anestesiologista Filipa Aguiar. A nova prótese foi implantada por via percutânea, minimamente invasiva, através de acesso femoral, sob orientação por fluoroscopia e ecocardiografia 3D – técnicas que permitiram posicionar a válvula com elevada precisão, sem necessidade de abrir o tórax nem de recorrer a circulação extracorporal. Toda a intervenção decorreu sem complicações e a doente teve alta ao fim de dois dias, com melhoria franca do estado clínico e uma boa evolução até à data. Este caso ilustra bem a capacidade de articulação entre especialistas e diferentes unidades do Hospital da Luz, bem como a importância da multidisciplinariedade e como são decisivas as técnicas de intervenção estrutural minimamente invasivas no tratamento de doentes com doença valvular complexa e risco cirúrgico elevado, constituindo uma alternativa segura e eficaz à cirurgia convencional, proporcionando recuperação mais rápida e menor tempo de internamento. Outro caso exemplar Já durante o ano de 2025 o Hospital da Luz Lisboa tinha sido palco de outro caso clínico exemplar, de uma doente com 95 anos, também muito ilustrativo do potencial das técnicas minimamente invasivas. A doente foi submetida a dois procedimentos percutâneos valvulares pela equipa de cardiologia de intervenção: um para substituição de válvula aórtica com uma válvula biológica (conduzido por Sérgio Madeira , em março) e outro que consistiu numa plastia mitral percutânea urgente com recurso a dispositivo Pascal ACE (conduzida por Rui Campante Teles , em junho). Este caso sublinha como as técnicas percutâneas são verdadeiramente transformadoras, demonstrando que, mesmo em idades avançadas, é possível obter benefícios clínicos significativos e melhor qualidade de vida quando se aposta numa abordagem adequada e integrada. Destaca-se ainda a colaboração exemplar também aqui registada entre as unidades do Hospital da Luz (Oeiras e Lisboa) , que garantiu não só comodidade à doente como o acesso a equipas altamente diferenciadas e tecnologia de ponta. O papel dos exames imagiológicos avançados foi fundamental em todas as fases do diagnóstico e dos procedimentos realizados. “Estes casos comprovam que a idade, por si só, não deve excluir os doentes das soluções mais inovadoras e eficazes em cardiologia de intervenção, desde que criteriosamente avaliados por equipas experientes multi-institucionais”, salienta Rui Campante Teles.