Um projeto sobre ‘Psiquiatria em Era Covid’ , feito pela equipa do Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental do Hospital Beatriz Ângelo (HBA), ficou em 3º lugar no concurso lançado pela Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental (SPPSM), tendo, por isso, recebido uma das bolsas de investigação disponíveis neste concurso. Entre quase duas dezenas de candidaturas, o 3º lugar atribuído ao projeto da Psiquiatria do HBA foi anunciado no encerramento do Congresso Nacional de Psiquiatria 2021, organizado pela SPPSM, depois de uma análise feita por um júri nacional independente, não ligado a serviços de saúde mental do SNS, que teve acesso apenas às candidaturas anonimizadas. A equipa do HBA construiu o seu projeto com base no trabalho que desenvolveu durante a pandemia e que passou pela reorganização imediata do Departamento, designadamente do serviço de Psiquiatria e do serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência (Pedopsiquiatria), iniciando desde cedo a resposta às necessidades observadas e antecipadas. Segundo está descrito no projeto que ficou no top 3 dos melhores, «definiram-se respostas estruturais e o esforço multidisciplinar, a união entre profissionais e a dedicação de cada colaborador engrandeceram a conjugação das ideias e valor humano e técnico-científico dos projetos dinamizados. A resposta do DPSM, no contexto da crise COVID-19, caraterizou-se pela adoção de estratégias preventivas e interventivas, dirigidas aos doentes com e sem COVID-19, às famílias e aos profissionais de saúde, a nível hospitalar e comunitário» . Entre estas respostas, destacam-se a realização de videoconsultas e da organização do trabalho em espelho das equipas, para assegurar os hospitais de dia e assegurar profissionais sempre em presença. Foi preparada a psiquiatria e a pedopsiquiatria de ligação para dar resposta aos doentes internados, com e sem COVID-19. Por exemplo, «d urante este período de pandemia, a equipa de Pedopsiquiatria escreveu e enviou cartas pelo correio para as crianças do Hospital de Dia. Escrever permitiu narrar, questionar, elogiar, agradecer. Foi possível fazer uma retrospetiva do tempo vivido no serviço, evidenciando alguns momentos mais decisivos no processo clínico, tanto para o jovem como para a família. Ter tempo para pensar em cada uma das crianças e escrever para elas, sobre o grupo, sobre as vivências, sobre o que poderia estar a ser uma dificuldade maior para eles, fazer a ponte com as competências das crianças e adolescentes, e das famílias, foi a forma de lhes dizer que se mantêm presentes. Projetou-se o reencontro e, assim, souberam que mantinham o lugar no serviço, no grupo e no outro» . Especialmente orientado para os profissionais de saúde do Hospital, foi implementada a Linha de Apoio Psicológico e criados grupos de promoção de saúde mental e bem-estar dos colaboradores, que organizaram esquemas de exercício físico e psicológico com vista a «diminuir o stress que foi vivenciado devido à pandemia de COVID-19, melhorar e fomentar o espírito de equipa e proporcionar a aprendizagem de técnicas de relaxamento, como forma de reduzir os níveis de ansiedade» . No texto da candidatura apresentada à SPPSM, a equipa do HBA conclui que «a definição e implementação das estratégias de resposta aos desafios impostos pela pandemia vieram realçar o excelente trabalho multidisciplinar e de equipa entre os diferentes serviços. A adaptação à pandemia exigiu a aquisição de novos conhecimentos e contribuiu para o aumento da experiência dos intervenientes, conduzindo a um espírito de união e entreajuda que, desde há longa data, não era tão sentido» . Parabéns ao HBA e especialmente a todo o seu Departamento de Psiquiatria.