O Hospital da Luz Vila Real realizou este mês, pela primeira vez em Portugal, um procedimento para tratar obstruções das veias profundas através da implantação do novo stent venoso Fortegra. Este tratamento-piloto representa uma nova opção terapêutica, em particular nos doentes com obstruções venosas sintomáticas, incluindo situações associadas à doença venosa pélvica e a sequelas pós-trombóticas. A doença venosa pélvica é uma condição vascular causada pela dilatação e mau funcionamento das veias da região pélvica, que leva à acumulação de sangue e aumento da pressão nas veias. Este procedimento, minimamente invasivo e realizado por via endovascular, permite restabelecer e melhorar o fluxo sanguíneo venoso através da colocação de um stent (ou tubo) que mantém a veia aberta na zona afetada, respeitando o fluxo venoso natural, com elevada segurança, menor dor e risco de trombose pós-operatória. A recuperação do fluxo venoso pode contribuir para a melhoria de sintomas como dor, edema ou inchaço das pernas e alterações da pele, podendo também favorecer a cicatrização de úlceras venosas. Esta intervenção no Hospital da Luz Vila Real foi realizada pelos cirurgiões vasculares Mário Marques Vieira e João Rocha Neves . O que envolve este tratamento? Trata-se de um procedimento endovascular minimamente invasivo, em que o médico introduz o dispositivo através de uma bainha, normalmente por acesso venoso, e posiciona-o na zona onde existe a obstrução. Depois de libertado, o stent expande-se e funciona como uma estrutura que mantém a veia aberta na sua forma natural, permitindo melhorar o fluxo sanguíneo e reduzir a obstrução venosa. Neste primeiro procedimento realizado em Portugal foi utilizado o stent Fortegra (Gore) , um dispositivo constituído por uma estrutura de nitinol autoexpansível e uma malha de polímero ePTFE, sem pontes metálicas, concebida para combinar flexibilidade, resistência à compressão e adaptação ao movimento das veias. É um dispositivo recente, que recebeu aprovação MDR/CE na Europa em junho de 2026. Na Europa, esta tecnologia está indicada para o tratamento de obstrução sintomática do fluxo venoso da veia cava inferior e/ou das veias iliofemorais. Estas obstruções podem estar associadas a doença venosa profunda, doença venosa pélvica e a situações pós-trombóticas, podendo provocar sintomas com impacto significativo na qualidade de vida. “A realização deste procedimento pioneiro em Portugal representa, assim, mais uma arma no tratamento especializado da doença venosa, permitindo alargar as opções disponíveis para doentes selecionados com obstruções venosas sintomáticas”, explica Mário Marques Vieira. A utilização desta nova tecnologia reforça a aposta do Hospital da Luz Vila Real numa abordagem diferenciada e especializada da doença venosa, nomeadamente da doença venosa pélvica e das obstruções venosas profundas. No Hospital da Luz Vila Real, continuamos a investir em inovação, tecnologia e excelência clínica, procurando disponibilizar aos doentes soluções terapêuticas cada vez mais diferenciadas e adequadas às suas necessidades.